Por Rosarinho Perdigão
Há histórias que começam muito antes de sabermos que vão fazer parte da nossa vida. A minha história com o CRIF começou quando eu era ainda adolescente e não imaginava o caminho que o futuro me reservava. Devo-o ao Padre Pereira, que era então meu professor de Francês no CEF. Um dia, perguntou-me que curso queria seguir. Respondi-lhe que ainda não tinha decidido. Estava dividida entre o curso de Direito (talvez por esta minha velha "mania" da justiça social) e o curso de Educadora de Infância.
Ele ouviu-me, pegou-me fortemente na mão - e acho que ainda hoje sinto aquela mão na minha - e disse-me: "Vai rapidamente tirar o curso de Educadora, que eu preciso de ti no CRIF."
Eu tinha cerca de quinze anos. Talvez naquele momento não tivesse verdadeira consciência da importância daquela frase. Mas hoje, passados tantos anos, olho para trás e percebo que aquelas palavras acabaram por mudar o rumo da minha vida.
Aquele gesto, aquela mão apertada e aquela certeza que ele teve em mim, antes mesmo de eu saber exatamente o que queria para o meu futuro, foram o primeiro capítulo desta história. E, de alguma forma, ele viu em mim aquilo que eu ainda não conseguia ver. Segui o seu conselho.
Há 40 anos, entrei no CRIF para iniciar o meu percurso profissional. Não sabia, nesse dia, que estava também a entrar numa história que viria a fazer parte da minha própria vida.
Hoje, ao celebrar os 50 anos desta Instituição, olho para trás e vejo muito mais do que quatro décadas de trabalho. Vejo rostos, sorrisos, lágrimas, conquistas, dificuldades, abraços, aprendizagens e histórias que ficaram para sempre comigo. Vejo uma parte de mim no caminho que percorri.


